Perder urina ao rir, tossir, espirrar ou pegar peso tem nome: incontinência urinária de esforço. Acontece quando a pressão dentro do abdome sobe de repente e o conjunto que deveria manter a uretra fechada, o assoalho pélvico e as estruturas que dão suporte à bexiga, não sustenta aquela pressão. O resultado é uma perda pequena, involuntária, quase sempre ligada a um esforço específico.
É frequente, principalmente depois de gestações e nas fases de mudança hormonal, mas frequente não é sinônimo de normal. Na maior parte dos casos existe tratamento conservador, sem cirurgia, e a primeira linha é a fisioterapia pélvica, com treino da musculatura e recursos de estimulação quando indicados.
O que varia de mulher pra mulher é o grau da perda, o que a causou e o que faz sentido no protocolo. Entender isso ajuda a escolher o caminho certo na avaliação. Vamos por partes.
Por que acontece perda de urina ao rir ou tossir?
Porque rir, tossir e espirrar são picos rápidos de pressão dentro do abdome. Em condições normais, o assoalho pélvico responde a esse pico com uma contração reflexa que fecha a uretra antes do esforço acontecer. Quando essa musculatura está enfraquecida, lenta ou descoordenada, o fechamento chega atrasado e escapa urina.
Alguns fatores explicam esse enfraquecimento com mais frequência:
- Gestação e parto, pela sobrecarga sobre a musculatura e pelo estiramento das estruturas de suporte
- Queda hormonal do climatério e da menopausa, que altera a qualidade do tecido da região
- Excesso de peso, tosse crônica e constipação, que mantêm a pressão abdominal elevada por longos períodos
- Esforço repetido de alto impacto sem preparo da musculatura, como corrida e treino com salto
- Envelhecimento e perda de massa muscular, que atingem o assoalho pélvico como qualquer outro grupo muscular
Em Manaus, com o calor, muito do treino acontece em ambiente fechado, e modalidades de alto impacto, como salto, corrida em esteira e agachamento com carga, são justamente onde a perda costuma aparecer. O gatilho não é o exercício em si, é a musculatura que ainda não acompanha a demanda.
O que é incontinência urinária de esforço?
É a perda involuntária de urina associada a um aumento súbito da pressão abdominal, sem vontade de urinar antes. Esse detalhe importa, porque separa esse quadro dos outros dois mais comuns.
Na incontinência de urgência, a perda vem depois de um desejo forte e repentino de urinar, muitas vezes a caminho do banheiro. Na incontinência mista, os dois padrões convivem. O tratamento não é o mesmo para os três, e por isso classificar o tipo é o primeiro trabalho da avaliação, não um detalhe técnico.
A quantidade perdida também não define gravidade da forma que parece. Poucas gotas que levam ao uso diário de absorvente, a evitar a academia ou a pensar duas vezes antes de rir alto já são motivo suficiente para investigar.
Perda de urina tem tratamento sem cirurgia?
Tem. O tratamento conservador é a primeira linha na incontinência urinária de esforço, e o treinamento dos músculos do assoalho pélvico é o recurso mais estudado. Trabalhos publicados em revistas científicas brasileiras mostram redução da frequência de perdas e melhora consistente da qualidade de vida em mulheres que seguiram programas supervisionados de fisioterapia pélvica.
Isso não quer dizer que a cirurgia deixou de existir, nem que recorrer a ela seja um fracasso do tratamento conservador. Quer dizer que existe um caminho menos invasivo para começar, e que ele costuma ser tentado primeiro. A escolha entre conservador e cirúrgico é clínica, feita a partir do tipo de incontinência, do grau da perda e da resposta ao tratamento inicial.
Para entender o papel dessa musculatura no conjunto, vale ler o panorama sobre saúde do assoalho pélvico, que trata dos sinais de alerta e de quando procurar ajuda.
Como se fortalece o assoalho pélvico?
Com treino específico, progressivo e orientado, não com exercício aleatório. O primeiro passo é aprender a contração correta: parte considerável das mulheres, ao tentar contrair o assoalho pélvico, contrai glúteo, contrai abdome ou prende a respiração, o que não produz o efeito desejado. Uma avaliação com fisioterapeuta identifica isso logo no início.
A partir daí, o programa combina contrações rápidas e contrações sustentadas, em séries e posições que evoluem ao longo das semanas, sempre com repetição em casa. Quando indicado, entram recursos como o biofeedback, que traduz a resposta da musculatura em informação objetiva, e a eletroestimulação, útil principalmente quando a contração voluntária ainda é fraca.
Tecnologias de estimulação também podem compor esse conjunto. O Emsella usa campo eletromagnético focado para provocar contrações do assoalho pélvico com a paciente sentada e vestida, sem agulhas, e entra como complemento do trabalho de fisioterapia pélvica, nunca como substituto dele. A indicação, a combinação e a ordem dos recursos são definidas em avaliação, caso a caso.
Quantas sessões de fisioterapia pélvica são necessárias?
Não existe número único. Os protocolos descritos na literatura brasileira variam bastante: há programas de doze sessões supervisionadas, duas vezes por semana ao longo de seis semanas, e há programas de treino três vezes por semana durante cerca de três meses. A resposta é individual e depende do estado da musculatura, do tipo de incontinência e da constância do treino em casa.
O que costuma ser comum a todos eles é o formato: sessões regulares, medição do progresso ao longo do caminho e manutenção depois. Assim como qualquer músculo, o assoalho pélvico perde condicionamento quando o estímulo para, então a fase de manutenção faz parte do plano desde o começo, e não como um extra.
Quando a investigação precisa ir além da musculatura
Nem toda perda de urina é só questão de força. Perda contínua ao longo do dia, dor ao urinar, sangue na urina, infecções urinárias de repetição ou sensação de peso e de algo descendo na vagina pedem investigação mais ampla antes de qualquer protocolo.
Nesses casos, a avaliação clínica pode ser complementada por exames de imagem quando indicados. A clínica tem exames e diagnóstico com agenda própria de ultrassonografia e Doppler, o que encurta o tempo entre a suspeita e a resposta.
Na We Clinic
O cuidado do assoalho pélvico é conduzido por Mônica Mira, fisioterapeuta, sob direção médica da Dra. Maria Eugênia, ginecologista. O caminho começa pela avaliação e envolve treino da musculatura, eletroestimulação quando indicada, medição da resposta por biofeedback e o Emsella como uma das tecnologias disponíveis. Conheça as opções na página de saúde e estética íntima e, para marcar a avaliação, fale com a equipe pelo WhatsApp.
Fontes:
- Qualidade de vida em mulheres após tratamento da incontinência urinária de esforço com fisioterapia · SciELO, Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 2007
- Impacto do treinamento dos músculos do assoalho pélvico na qualidade de vida em mulheres com incontinência urinária · SciELO, Revista da Associação Médica Brasileira, 2012
- Construção e validação de cartilha educativa sobre exercícios pélvicos fundamentais para mulheres com incontinência urinária · SciELO, Fisioterapia e Pesquisa, 2021
Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação. A indicação de qualquer tecnologia ou tratamento é sempre clínica, definida em consulta.
Perguntas frequentes
Perder urina depois do parto é normal?
É frequente no pós-parto, porque gestação e parto sobrecarregam o assoalho pélvico, mas frequente não quer dizer que precise continuar assim. Quando a perda persiste depois das primeiras semanas, vale procurar avaliação com fisioterapeuta. Quanto mais cedo o treino começa, melhor tende a ser a resposta da musculatura.
Exercício de Kegel resolve sozinho?
Pode ajudar, desde que a contração esteja correta e o estímulo seja progressivo. Interromper o jato de urina como forma de treino não é recomendado: atrapalha o esvaziamento da bexiga e pode favorecer infecção urinária. Uma avaliação inicial corrige o padrão de contração e define séries, frequência e evolução ao longo das semanas, porque a musculatura só responde quando a carga aumenta aos poucos.
O Emsella precisa de anestesia ou de tirar a roupa?
Não. A sessão dura cerca de meia hora, é feita sentada e vestida, e a paciente costuma perceber contrações involuntárias do assoalho pélvico durante o estímulo, uma sensação diferente no começo e sem dor. Não exige anestesia nem preparo antes, e não há afastamento das atividades depois, e o recurso entra sempre junto do trabalho de fisioterapia pélvica, com indicação definida em avaliação.
A perda de urina piora na menopausa?
Pode piorar. A queda hormonal do climatério altera a qualidade do tecido da região íntima e costuma somar ao enfraquecimento muscular acumulado ao longo dos anos. É um momento em que os sintomas aparecem ou se intensificam, e também um bom momento para avaliar o assoalho pélvico.
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